3 Ecos da Falésia: A TRAGÉDIA, O DRAMA, O HORROR

sexta-feira, março 07, 2008

A TRAGÉDIA, O DRAMA, O HORROR


Uma considerável percentagem de portugueses tem a sua costela de mirone. Ou espreita, se preferirem.
Observar o casalinho a namorar, a vizinha do prédio em frente (que não fecha as cortinas), o corpo ensanguentado na berma da estrada (aguardando o INEM) ou simplesmente esse enorme buraco de fechadura em formato de ecrã de televisão, com o respectivo e inesgotável menu de temas deprimentes:
Vítimas de acidentes ou atentados (na falta do corpo, uma grande mancha de sangue já satisfaz), quedas de aviões (havendo uma aterrissagem de risco, que entre o directo, na expectativa da catástrofe), mulheres espancadas, velhinhos abandonados, crianças abusadas, bebés abocanhados por cães, doentes terminais, aleijões, deficientes mentais, Fátimas, Júlias e Gouchas, tudo isto é um regalo para a vista.

Ùltimamente, uma pessoa vê-se e deseja-se para assistir a um bloco noticioso, reportagem ou talk-show onde não surja uma imagem sinistra ou alguém a descrever o seu drama, pessoal ou próximo.
Ele é o cancro, a doença rara, a deformidade, o erro médico, a psoríase, a obesidade mórbida, a chaga aberta, a tragédia, o drama, o horror...
E o público a babar-se com o espectáculo.
Tremendo gozo este, de ver a desgraça alheia, sentadinho no sofá e a mastigar guloseimas.

Aonde é que isto nos leva?
Se o «share» quer dizer alguma coisa, provavelmente a maioria dos eleitores cá do cantinho tenderá a votar em deficientes que é para ter o gosto de os ver aparecer muitas vezes na televisão lá de casa.

Note-se que esta é apenas uma conclusão apressada e não se baseia em nenhum estudo ou sondagem minimamente credível.

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18 Comments:

At 6:26 da tarde, Blogger Maria said...

Desculpa, Sininho, mas eu não vejo deficientes em todos os telejornais e depois dos telejornais nas conversas quase "... em família"?
Ontem vi dois. Uma e depois um. Na rtp que nós todos pagamos. Quer a gente queira ou não, porque vem na factura da edp sem apelo nem agravo...
Tenho uma vantagem sobre os que "têm tremendo gozo".. é que não tenho sofás, hehehehe...

Beijinhos

 
At 7:17 da tarde, Blogger samuel said...

Mas... não votaram já nas últimas eleições?
Quer dizer que isto ainda vai ser pior?!

Abreijo

 
At 9:18 da tarde, Blogger Cris Caetano said...

Vou ter de fazer a mesma pergunta do Samuel: mas já não há deficientes eleitos? Ora essa, eu estava certinha que havia...

Beijinhos

 
At 11:37 da tarde, Blogger a.leitão said...

Sininho,
Este problema é tão velho com'ó Portuga.
Como cidadão Portuga nos meus vinte e .. lá fui como tantos outros dar o corpo ao manifesto lá pelos anos 60, algures em Angola. Prejuízos em termos de carreira foram mais que muitos, em termos de formação psiquica e conhecimentos prácticos foram bastantes.Vão já uns 20 e tal anos fui convidado para comparecer a uma dessas reuniões de "Companhias ou Batalhões" tão na moda.
Quando cheguei lá encontrei os velhos "camaradas":
-Então pá, como vai a vida?
-É um problema, passo a vida no hospital...
Sigo para outro...
-Então pá, como vai a vida?
-Isto não vai nada bem. Tenho pr'á qui um reumatismo...
E assim is passando de um para outro
Resultado:
Acabaram-se as "reuniões" do "Batalhão Doente"
Ninguém mais me lá apanhou.
Como vês não é só de agora.

 
At 12:11 da tarde, Blogger Sininho said...

Maria:
Mas hás-de concordar que ainda é mais penoso ver os tais deficientes a que te referes, sem ser sentadinha num sofá, hehehe...
Embora mais aconselhável para a coluna:)))

Beijinho

 
At 12:18 da tarde, Blogger Sininho said...

Samuel:
Eles votaram, eles votaram.
Mas vão voltar ao mesmo, podes crer...
De resto, à sua volta, é só silêncio e ranger de dentes...

Abraço

 
At 12:25 da tarde, Blogger Sininho said...

Cris:
Lá isso há. Mas ainda sobram muitos ansiando subir ao poleiro.
Todos com o mesmo QI...
E de mãozinhas pouco lavadas:)))
Vamos ter ainda uma longa travessia pelo deserto, à nossa frente.

Beijinho

 
At 12:48 da tarde, Blogger Sininho said...

A.Leitão:
É um raio dum feitio, esse de, além de se comprazerem em ver as doenças dos outros, adorarem contar as suas próprias maleitas.
Se possível, exagerando nos detalhes.
Quantas vezes tive vontade de me levantar duma mesa, à conta desse petisco!
A acompanhar um almoço, é o condimento certo para uma digestão com azia.
Livra!!!

Abraço

 
At 4:11 da tarde, Blogger Luis Eme said...

Eu acho que as pessoas não tem a culpa, mas sim os programadores e directores de informação, que enchem a televisão de "lixo".

Claro que muitas destas coisas que falas, são como as telenovelas, grudam as pessoas ao ecran... porque a curiosidade faz parte da nossa natureza. Mas há uma imposição camuflada, na oferta do tal "lixo",pelas televisões, Sininho...

abraço

 
At 9:50 da tarde, Blogger Sininho said...

Luís:
As pessoas são naturalmente curiosas.
Algumas, para além de curiosas, são mórbidas nos seus gostos.
Não é culpa da televisão, quando abrandam na estrada para ver os acidentes. Ou ficam a olhar para uma criança com algum tipo de deficiência (e com esta não brinco).
O que a televisão faz é aproveitar-se de tais preferências doentias, fornecer-lhes doses maciças desse material e assim conquistar audiências.
Mas descansa que a coisa ainda vai piorar...

Abraço

 
At 10:20 da tarde, Anonymous Anónimo said...

O português tipo é esse mesmo que adora esses telejornais e esses programas. O que se há-de fazer? Nada! Não se pode ir contra a vontade da larga maioria. É antidemocrático, é fascizante. Dizem.
Só resta lamentarmos ter nascido num país de coitadinhos assumidos.
Quando, há pouco tempo, num concurso de televisão, um senhor doutor!, residente em Cascais!!!, respondeu que o Cabo Espichel ficava no Algarve, então, nada se pode fazer por este povo, por este país.
Há, até, quem defenda a falta de conhecimentos e de cultura como o segredo da felicidade. Não sabe, não discute, vive feliz para sempre. Parece ser o caso dos tais tugas.

Farol do Cabo

 
At 12:43 da manhã, Blogger Sininho said...

Farol do Cabo:
Pode crer que quem anda longe das realidades vive bem mais feliz...
Calculo que esta fase das maleitas e desgraças também ocorra noutros países porque, por cá, nunca se inventa nada.
Para a maneira de ser do portuga, veio mesmo a calhar...

Abraço

 
At 10:05 da tarde, Blogger Gi said...

Sininho, se bem que mal comparado é a mesma coisa que as revistas cor de rosa. Existem porque há mercado para elas , ele não criam necessidades, vão encontro das necessidades de quem as tem. Se nas revistas vivem um pouco a vida através da vida dos outros nos noticiários dão-se por felizes porque não é a eles que o mal bate à porta... além disso sempre foi uma forma de desviar a atenção dos assuntos realmente importantes. Agora pergunto, achas que isso vende? nem aqui nem em lado nenhum. Não somos únicos, isto é política global !

beijo, boa noite

 
At 1:37 da tarde, Blogger poetaeusou . . . said...

*
e agora com a
mundança do "carnaxide* ...
mudo a filosofia,
"pero tengo trabajo"
,
silencios deixo
,
*

 
At 5:00 da tarde, Blogger Sininho said...

Gi:
Eu sei que tudo é bom para entreter papalvos.
Que as pessoas gostem de folhear as revistas cor-de-rosa eu entendo perfeitamente.
Como dizes, projectam-se nas vidas que gostariam que fossem as suas.
Mas apreciar ver sobretudo os acidentes dos ralis ou a descrição de desgraças alheias não me parece nada saudável...

Beijinho

Ps) Agora meti a mãozinha na consciência porque me lembrei do que me rio quando recebo uns Emails com quedas aparatosas:)))))
(mal dos outros, pois claro...)

 
At 5:03 da tarde, Blogger Sininho said...

Poeta:
En este país, si tienes trabajo tienes mucha suerte...

Abraço

 
At 10:18 da tarde, Blogger Vieira Calado said...

É isso: a tragédia, o horror....
parece que este povo só gosta disso.
Quando acontece aos outros.
Estou a ser mauzinho. Mas é o que parece...
Cumprimentos

 
At 4:36 da tarde, Blogger Sininho said...

Vieira Calado:
Temos uma tendência natural para o mórbido e o deprimente.
Tanto no que toca aos males alheios, como no gosto de divulgar pùblicamente as nossas próprias maleitas.
Digo "nossas" mas não faço parte do grupinho.
Antes fujo dele, sempre que me é possível:)))

Um abraço e volte sempre.

 

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