3 Ecos da Falésia: FARSA EM TRÊS ACTOS

quinta-feira, outubro 19, 2006

FARSA EM TRÊS ACTOS

1º Dia - PRIMEIRO ACTO:
Os Okupas "Teatro Plástico"- barricam-se no interior do Teatro Municipal Rivoli, em protesto contra a previsível gestão privada da sala de espectáculos e para defender "o direito do Povo à cultura". Estão munidos de bons colchões, comida, bebidas, computadores e telemóveis.
O dito Povo, em absoluta falta de solidariedade, borrifa-se para eles.
Dia da proposta do Orçamento de Estado. Azar, quanto a tempo de antena.

2º Dia e 3º Dias - SEGUNDO ACTO:
A Câmara corta-lhes a Electricidade, cortando-lhes, simultâneamente, o pio: Adeus mensagens via Internet e carregamento de telemóveis.
Regina Guimarães, uma nutrida Virago, declara que "a manterem-se as coisas assim ( leia-se: Sem a solidariedade de Isabel Pires de Lima ), qualquer dia, a única hipótese que resta é o recurso à luta armada!"
O País fica borrado de medo.
Mas, com o jogo Porto-Hamburgo, azar, outra vez, com os tempos de antena.

INTERVALO:
À grande educadora do Povo Portuense, Manuela Melo, são oferecidos, de bandeja, 20 minutos, em entrevista na SIC NOTÍCIAS, para poder explicar ao País, como Rui Rio é um gêbo que não percebe pêvas dos assuntos culturais que interessam à cidade.
E como o Povo necessita deste tipo de teatro alternativo, como de pão para a boca.

4º Dia e TERCEIRO ACTO:
Pela fresca, ao raiar do dia, chegam os vilões:
A Polícia entra no teatro e ordena aos Okupas que desimpeçam a loja, rapidinho, e tudo para a Esquadra.
-" Foi como estar dentro dum filme, numa sala de teatro. Uma carga policial tão forte, com tanto aparato! Eu fui acordado com lanternas! "(ai que brutos ) - descrevia o jovem com ar andrógino, batendo as pálpebras, consternado. -"Disseram-nos que só tínhamos 5 minutos para saír e não podíamos utilizar os telemóveis". ( o que deve ser contra os Direitos do Homem)
Mas lá foi acrescentando que "a luta vai continuar".

CORTINA.

Comovente, em toda esta farsa, foi a solicitude do PÚBLICO, que criou um Blogue, especialmente, para dar voz aos meninos.
Vão eles indemnizar a Câmara, pelo desvario, ou a indemnização vai saír, direitinha, dos nossos impostos, como de costume?


TLIM

10 Comments:

At 3:26 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Se calhar para si cultura deve ser Morangos ou Floribela

 
At 9:54 da manhã, Blogger Luis Eme said...

A Cultura é uma área muito especial... e não creio que venha a ganhar alguma coisa com a privatização, já que se transforma num mero negócio. Embora existam limites.
Não creio que esta ocupação, simbólica, fosse um mau passo (foi-lhe dada muita visibilidade, com directos da TV e tudo) para quem a organizou. Eu por exemplo nunca tinha ouvido falar do "Teatro de Plástico". A ideia que me fica, pela pouca aderência das pessoas do Porto (especialmente agentes culturais), não deve ter sido feito pelas pessoas certas.
Claro que quem lucra com esta medida é a Câmara Municipal do Porto, que deixa de ter menos uma "renda" para pagar todos os meses, e que tem toda a legitimidade para fazer o que entende com as suas instalações.
Mas pela experiência que tenho, volto a dizer, a cultura não via ganhar nada com esta privatização.

 
At 5:15 da tarde, Blogger Sininho said...

Caro Luís Milheiro:
Pode, até, ser que a Cultura não ganhe com a privatização do Rivoli.
É bem possível. Mas olhe que o público do Porto é bastante bem informado. E viu-se a fraquíssima mobilização que os "barricados" conseguiram.
A verdade é que um teatro com sessões para meia dúzia de espectadores não tem razão de ser.
Quem não tem competência para cativar, mìnimamente, o seu público, deverá procurar outra profissão. E uma peça que tenha êxito, não deve, só por isso, ser rotulada, apenas, de comercial e sem valor.
Esse é um preconceito muito generalizado, entre certa intelectualidade da nossa Praça. Pessoalmente, não me agrada contribuír para os financiamentos de "capelinhas", de duvidosa qualidade, só porque gozam da protecção política do Governo vigente. Seja o acual, seja outro qualquer.
Penso que só deve "tocar guitarra quem tiver unhas" que prestem. E quem não as tiver, paciência, terá de lhe sofrer as consequências, o que, aliás, acontece com os restantes mortais. Há alguns anos, comprei bilhetes para ver "O Frigorífico", daquela companhia: Aguentei, exactamente, 40 minutos e mais não consegui...
Só espero que outros eventos, como o Fantasporto, não venham a ser afectados, já que a privatização não é, necessàriamente, uma sentença de morte.

 
At 10:23 da tarde, Blogger Luis Eme said...

Sininho, não resisto, tenho de dizer mais qualquer coisa...
Embora seja contra a subsidiodependência, sei que se acabarem os subsídios, deixam de existir grande parte dos grupos de teatro, companhias de dança, orquestras musicais, etc, no nosso país. Podes argumentar que só desistem porque não "têm unhas para tocar guitarra", mas há grandes espectáculos que não chegam ao grande público, por falta de divulgação e também por falta de conhecimento e sensibilidade cultural de grande parte da nossa população, cada vez mais educada segundo as "leis" das histórias de cordel das telenovelas, com os tais morangos e a floribela em destaque.
E um povo sem educação e cultura será sempre um povo embrutecido e pouco livre. Infelizmente é isso que se vai passando no nosso país.

 
At 1:21 da tarde, Blogger Sininho said...

Caro Luís Milheiro:
Há sempre casos que vêm dar razão aos seus argumentos.
No que ao Teatro Plástico diz respeito, esses senhores não se enquadram no género de agentes culturais capazes de elevar a cultura popular. Peças como as que eles produzem são puras chumbadas que quase ninguém está disposto a ver, nem à borla.
Quando os subsídios caem em mãos rotas e erradas, ficam, sempre, alguns prejudicados. Provàvelmente, muitos desses a que se referiu.
Olhe o caso do filme "Branca de Neve", do João César Monteiro, subsidiado pelo ICAM. Se, por acaso ainda não o viu( ver é uma força de expressão...) recomendo vivamente, como exemplo do aproveitamento que alguns fazem dos subsídios cedidos às artes...

 
At 11:22 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Mas que o Rui Rio é uma cavalgadura é que não há dúvidas.

 
At 1:16 da manhã, Blogger a.leitão said...

O Post de Sininho e os comentários a Luís Milheiro são muito apropriados.
Quanto ao anónimo é bem verdade que a hombridade e honestidade incomoda muita gente.

 
At 9:34 da tarde, Blogger Sininho said...

Caro A. Leitão:
O facto de podermos ter maneiras diferentes de pensar, não tem que fazer de nós intolerantes. Toda a divergência pode ser exposta de maneira elegante - caso do Luís Milheiro - ou de forma grosseira, como a deste Anónimo, que nem merece resposta.
Um abraço.

 
At 5:08 da tarde, Blogger solas_na_mesa said...

estou de acordo com o post! sinceramente, seja qual for a companhia de teatro, musica, etc.. se tem valor , que ganhe o seu publico e ganhe as suas verbas como resultado do seu trabalho. Só considero que devem ser apoiados os grupos/artistas jovens e a começar carreira. Nada mais.

quanto ao Publico (do qual sou leitor) não informou mas tomou posição. Eu escevi uma série de comentários nesse blog e nenhum apareceu no blog.....

 
At 7:25 da tarde, Blogger Sininho said...

Meu caro Solas:
Escreveu e não apareceu publicado?
Pois outros se queixam do mesmo mal. Eu, inclusive.
Pensamos ter uma imprensa independente, mas surgem, por vezes, os seus desvios.
Digo isto, apesar de comprar o Público, diariamente.
E atente-se na RTP que nasceu e há-de morrer a falar pela voz do dono.
Apesar disso, ainda continua a ser o menos mau, na grelha de programas ( especialmente a 2).
Um abraço.

 

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