3 Ecos da Falésia: A VIDA NÃO ESTÁ FÁCIL

terça-feira, março 06, 2007

A VIDA NÃO ESTÁ FÁCIL

Segundo notícia do "Correio da Manhã", este pobre homem de 38 anos, tem-se visto forçado a lançar mão do que tem, para poder comprar o produto que tanta falta lhe faz.
E não está fácil, a vida.
Depois de recolher as "dádivas" das passageiras da Fertagus, ainda tem de ir ao encontro do seu fornecedor e só então irá dirigir-se a uma das salas de injecção assistida, se quiser aplicar a sua dose, com toda a segurança.
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O que acontece é que estas salas são só duas e, calhando a ficarem longe da zona habitual do "doente", este acaba por fazer o serviço, à balda, ignorando todos os preceitos higiénicos.
E com a agravante de ser obrigado a abordar as senhoras, com uma seringa usada, em vez de o fazer com uma, devidamente esterilizada, fornecida nessas tais salas.
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Já dizia o Zé Pedro (dos Chutos), no "Prós e Contras" desta semana, com aquela expressão inteligente que lhe conhecemos, "...e tal, eu sou a favor das salas de chuto, como sou a favor da venda livre de todas as drogas".
Ora, nestas coisas, o Zé Pedro é que sabe.
Estamos contigo, Zé Pedro!
Esses tipos das Nações Unidas são todos umas bestas.
Não era só a Fátima Campos Ferreira que te olhava com a maior reverência.
Era o País inteiro.
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Aliás, todos nós, contribuintes veneradores e obrigados, deveríamos exigir que parte do dinheirinho dos nossos impostos fosse aplicado, justamente, na persecução do ideal do Zé Pedro.
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Quais centros de saúde, quais maternidades, quais urgências, qual o quê?
Eu diria que é de toda a conveniência, existir, pelo menos, uma sala de injecção assistida, em cada bairro de Lisboa, Porto, Coimbra e Faro e que não demorem muito, para que o exemplo do rapaz da notícia, não comece, para aí, a multiplicar-se.
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Já não falo na província que, assim como assim, já está habituada a ficar esquecida.
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TLIM

14 Comments:

At 1:24 da manhã, Blogger Maria said...

Este tema é fogo, Sininho. Mais que fogo, é verdadeiro tsunami.
Eu sou contra a liberalização das drogas duras, porque penso que esta medida pode levar cada vez mais jovens a experimentar o ainda "fruto proibido", de uma forma muito acessível e fácil.
Por outro lado não é agradável trabalhar ou viver frente a um "casal ventoso" ou "intendente" (e todos os outros por esse país fora), com os cenários por demais conhecidos.
Não sei qual será a melhor solução. É um problema real, não podemos fechar os olhos e fingir que não existe, mas não sei mesmo qual o caminho que se deve tomar.
Sinto-me completamente impotente perante este problema, até porque tenho experiências muito próximas, demasiado próximas, para o poder analisar de uma forma em que não me envolva emocionalmente...
E agora vou dizer uma heresia: com toda a informação que hoje existe sobre os malefícios das drogas duras, é minha opinião (e aqui vai a heresia) que as pessoas que escolheram esse caminho o fizeram por "opção de vida".
Estou preparada para a tareia que vem a seguir...

Um beijinho

 
At 11:08 da manhã, Blogger Luis Eme said...

Não consigo comentar...

Sininho, até a tua ironia me confunde.

Tenho muitas dúvidas sobre este tema. Ás vezes penso que a legalização seria o passo certo, porque se acabava com tráfico, outras penso o contrário...

Não concordo com a Maria, que seja uma simples "opção de vida"... muitas vezes basta estar no sitio errado à hora certa...

 
At 1:21 da tarde, Blogger Sininho said...

Para não tornar as minhas respostas demasiado extensas, a Maria e o Luís vão desculpar-me se me dirijo a ambos, em vez de o fazer individualmente.

A droga continua ser o GRANDE negócio: não só para quem produz e trafica, mas também para quem se dedica a TRATAR os toxico- dependentes.
Não pretendo, ao dizer isto, generalizar, porque existem, evidentemente, organizações sérias, a fazer um trabalho digno de admiração.
A par das panelinhas do costume.
Não é só no futebol...
Sempre existe quem, conhecendo o problema de perto, o encare sob outra perspectiva.
Acontece que, tal como o alcoolismo, para que haja um tratamento eficaz (e há exemplos), é fundamental o empenho do principal interessado, coisa muito difícil de conseguir.
Não está provado que o atendimento nas salas de chuto venha travar, significativamente, a disseminação de doenças.
Nem me parece curial seguir a máxima "se não consegues vencê-los, alia-te a eles".
Não creio que a Maria tenha dito nenhuma heresia, quando falou numa opção de vida.
Pode, até, haver essa opção, evidentemente. Sem se esquecer que a liberdade de cada um acaba onde começa a liberdade do outro, como, também, a Maria lembrou num post anterior, sobre o fumo.
Então, não vejo, dentro da lógica economicista do Governo, porque haverá de encerrar-se uma unidade de saúde destinada a pessoas que esperam, ansiosamente, ser tratadas, e abrir salas para assistir, com maior conforto, quem recusa o verdadeiro tratamento.

Abraços para ambos.

 
At 2:23 da tarde, Blogger poetaeusou said...

sininho
é um prosaprazer, deleitado,
prosariler as tuas prosas.
adoro !!!
Escuta, diz ao Correio da Manhã,
que essa "caxa" já não é noticia,
em (Fornos da Dona Chica).hihihi.
abrç. jinos)

 
At 5:24 da tarde, Blogger Maria said...

Este comentário foi removido pelo autor.

 
At 5:26 da tarde, Blogger Maria said...

Sininho

Permite-me só umas palavras ao luis eme: não é uma "simples opção de vida", mas é, de facto, uma opção de vida, opção por "essa forma de estar na vida".
É o que me diz a minha experiência, infelizmente tão rica devido aos casos tão próximos que tenho...
E essa "forma de estar na vida" é mesmo assumida pelos aditos, no intervalo das desintoxicações...

Abraços

 
At 6:05 da tarde, Blogger Sininho said...

Poetaeusou:
A "Caxa", infelizmente, já não constitui novidade, há vários anos e não só em Fornos da Dona Chica (onde quer que isso fique, perdoa a minha ignorância...)
Por palavras tão amáveis, hoje, excepcionalmente, vais levar um beijinho, em vez do abraço da ordem...

 
At 1:16 da manhã, Blogger Cris Caetano said...

Essa teve o dedo mesmo na ferida. Muito bom!...complicado...
Tendo a Dinamarca como exemplo na liberação da droga leve, "hoje" - pelo que eu li - a sua grande preocupação está em conter uma quantidade razoável de turistas que procuram o país exclusivamente para consumo e posse da dita cuja. Além disso, o tráfico de ectasy, "importado" de alguns países, inclusive da Dinamarca pelo Brasil tem aumentado.
Já fui contra e depois a favor da liberação da droga leve (aliás, é só uma a tal droga leve, mas usam o plural por aqui), porque abriria o mercado(pelo menos em relação ao Brasil) e o traficante perderia a sua função; um dos maiores flagelos da droga, além da própria e seu nefasto efeito, é a presença do traficante.
Não sei mesmo, tenhos dúvidas parecidas com as da Maria. E quanto mais leio os pareceres de especialistas, menos chego a uma conclusão satisfatória.
beijinho

 
At 1:23 da manhã, Blogger Cris Caetano said...

Ah...não concordo com o que diz a Maria sobre "opção de vida". Todos os estudos a respeito da relação droga e vício concluem que:ainda não é possível saber se uma determinada pessoa possa vir a ser dependente químico. Um baseado pode ser a perdição de 1 pessoa num grupo de 20, num exemplo grosseiro, é uma roleta russa. Então nem se devia experimentar a maconha? Pois, é, como os cientistas: não! E aí? Eu nunca experimentei, mas é complicado...

 
At 9:51 da manhã, Blogger Maria said...

Apesar de todos os dias serem dias da mulher, um beijo especial para ti Hoje, Sininho...

 
At 11:31 da manhã, Blogger Sininho said...

Cris:
Isto de, ora agora é de permitir, ora agora é de proibir, conforme o grupo que se dedica ao estudo, e o governo que está no poder, acaba por conseguir pôr as nossas cabeças, à razão de juros.
Parece ser certo que há pessoas com tendências compulsivas, genéticas. Seja para o álcool, a droga, o jogo, etc.
Para estes, o problema subsiste, de uma forma, ou de outra.
Eu estou longe de ter o conhecimento que me permita afirmar o que quer que seja, nesta matéria.
Desconfio que os grandes teóricos, também...
Um beijinho

 
At 11:33 da manhã, Blogger Sininho said...

Maria:
És uma querida.
Um beijinho.

 
At 6:40 da tarde, Blogger Cucagaio said...

Esta situação não é nova, já tenho conhecimento de situações iguais há mais de 10 anos, e não se restringe a mulheres, é a quem aparece. Sou contra a qualificação destes individuos como doentes. São párias da sociedade e devem ser tratados como tal.

 
At 11:47 da tarde, Blogger Sininho said...

Cucagaio:
É verdade que há anos se verificam situações semelhantes.
Foi pura ironia tratar a "caxa" do Correio da Manhã, com se fosse uma situação inédita.
E serviu-me de "mote" para o post.

 

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