3 Ecos da Falésia: O MALFADADO CÓDIGO GENÉTICO

domingo, abril 01, 2007

O MALFADADO CÓDIGO GENÉTICO

No seguimento desta nova vaga de licenciaturas e diplomas arranjados às três pancadas por pessoas que deveriam ser dignas de todo o crédito ( e a cujos nomes eu nem vou aludir), saíu, no semanário SOL mais uma notícia a descredibilizar outra instituição particular de ensino:
O Externato ALFA.
Desde 2002, ano em que a coordenadora da escola se demitiu, tem estado a decorrer uma investigação sobre variadas fraudes, entre as quais, alteração de notas e falsificação de assinaturas.
Dezenas de alunos dos anos lectivos de 1999/2000, 2000/2001 e 2001/2002, concluíram o 12º ano, "a martelo".
Várias notas foram inflacionadas para 20 valores, permitindo aos "beneficiados", uma entrada no curso de Medicina.
Esta coordenadora ( e professora de Filosofia e Psicologia), atribuía, também, a troco de elevadas quantias em dinheiro, classificações a certas disciplinas, sem que os alunos tivessem assistido sequer às aulas ou realizado qualquer exame.
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Temos, portanto, a circular por aí, vários senhores doutores com cursos arranjados à custa de expedientes e carteiras recheadas.
Mas escusam de se indignar os que acham que os ricos têm o monopólio das trafulhices.
A coisa não vai bem por aí.
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O portuga, seja ele pobre, remediado ou rico, transporta em si um malfadado código genético que o empurra, irresistìvelmente, na direcção da aldrabice e do "chico-espertismo".
E cujos efeitos aparecem tanto nas viagens-fantasma dos deputados, como no rôlo de papel higiénico que se subtrai num WC público.
Na receita falsa aviada na farmácia, como na baixa fraudulenta conseguida através do simpático médico de família.
Nos que recebem subsídio de desemprego enquanto andam a fazer biscates, como nos donos dos restaurantes que não passam recibo.
No mecânico que cobra pelas peças que não meteu no meu carro, como nos gestores que declaram falsas falências.
Nos que vendem roupa e CDs de contrafacção, como nos que adquirem uma carta de condução falsificada.
No advogado que escapa aos impostos, como no material de escritório que se leva para casa.
No aluno que copia nos testes, como no professor que arranja pretextos para faltar às aulas.
No GNR que aceita um suborno, como no nosso vizinho que não se preocupa em pagar o condomínio.
No pacato cidadão que manda "arranjar" a box para ver programas da TV Cabo à borla, como na simpática dona de casa que passa um cheque sem provisão.
No dentista que exerce sem estar devidamente habilitado, como no vigarista que convence a velhinha a entregar-lhe as parcas economias.
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Há muita gente honesta, a par destes maus exemplos?
Olá, se há!
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Os outros é que são todos uns gandas malandros.
Que quanto a mim, ao meu Honório e aos meus ricos meninos, ai de quem venha botar defeito!!!
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TLIM

6 Comments:

At 1:00 da manhã, Blogger Luis Eme said...

Pois, e nós a vê-los passar, a pensar que a "chico-espertice" não dura sempre, apesar do dia a dia dizer praticamente o contrário...

Um dia ouvi um Poeta dizer, que eles (que escrevinhavam poesia...) eram os únicos que continuavam de costas direitas e ofereciam palavras verdadeiras ao mundo.

Enquanto o escutava embevecido, alguém me disse que o dito cujo vivia de uma pensão do estado, por ser poeta...

O que há-de ser de nós, se neste país, até os poetas estão em saldo, Sininho.

 
At 3:41 da manhã, Blogger Maria said...

Gostei da comparação entre as viagens-fantasma dos deputados e do rolo de papel higiénico que se subtrai num WC público...

Ai Sininho, que país estamos nós a fazer, o que é que vamos deixar aos nossos filhos e netos?

E se nós (blogueiros/bloguistas) nos organizássemos e pedissemos uma pensão ao estado, por serviços prestados? hehehe

Que tristeza...

 
At 12:21 da tarde, Blogger Sininho said...

Luís:
O que me parece preocupante é a tendência para se considerar natural tudo o que nos favoreça.
Deixou de haver uma separação visível entre o que está bem e o que está mal. Ficar a dever aos outros, tornou-se normal. Aliás, o próprio Estado é o maior devedor...
Até nos filmes, vemos muitas vezes o vilão levar a melhor e assumir o papel de heroi...
E se até os poetas estão em saldo...

 
At 12:32 da tarde, Blogger Sininho said...

Maria:
No seguimento do comentário do Luís:
Atão tu também estarás em saldo?
Oh, diabo, tem-me cuidado...
Vês a injustiça de nós, blogueiros dedicados,estarmos para aqui a queimar as pestanas completamente à borla?
Isto é que é o verdadeiro espírito de missão!
Beijinho

 
At 1:49 da manhã, Blogger a.leitão said...

Sininho,
Antigamente eram as cunhas a troco dum cabrito ou dum presunto, daí a expressão
"Doutores da Mula Ruça"
Hoje... os Chineses é que a sabem...

 
At 9:42 da manhã, Blogger Sininho said...

A.Leitão:
Aos anos que não ouvia essa expressão!
Provavelmente será mais usada no norte e agora, quando lá vou é só de fugida, com grande pena minha.

 

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